Conto para ela
Vamos falar sobre quando estamos dormindo.
A intensidade dormente que te possui e não pensa, não controla a velocidade que teu corpo se contrai e se desespera por qualquer sombra de êxtase, o desejo incontrolável de prazer, de liberdade, começa a te tocar ainda dormindo, as pálpebras semi- abertas, fazem com que teus olhos chorem de angustia e vontade de logo cessar, o desejo incontrolável e enfim tu cavas, enfim tu encontras a imagem adequada, a fantasia útil, que te agrada, fica tão quente, é tão controlador, vai sendo rápido, nostálgico e doentio, uma sede desenfreada de prazer...
Prazer
Prazer prazer
Eu paro.
E respiro fundo.
Prazer prazer prazer
Prazer.
Acordei extasiada de um sonho bom.
Terminei de satisfazer meu corpo que lamenta por resistir a tão pouco, pensava que se a realidade do momento, um dia com outros, terminaria tão rápido, ou seria tão intenso. Como seria? Mais submisso? Sentiria cada força de gozo me sentindo ao longo das suas pernas?
Mas ai que eu te encontro, querido. Mas não seria tão íntimo, e nem seria eu somente.
É difícil entregar se a alguém quando se é como eu, quando se sente necessidade de si mesma, de rasgar se por dentro para atingir a respiração, aquela, de que todos falam, falam, pensam, pensam.
Mas dessa vez fora diferente, precisava então colocar toda aquela angustia que então expelia no meu corpo nesses momentos para um plano real. Um plano que mostrasse ingenuamente o que fazia a minha vida tão banal perante os outros, no turbilhão da existência, tão surreal.
Precisava eu contar. Sim, contar a aquelas pessoas que residiam no meu eu, toda aquela parafernália que dançava na minha cabeça, e infernizava a minha alma.
Eu havia então conhecido uma mulher, de uma beleza tão vulgar que doía nos meus mais profundos estímulos, o jeito que ela se movia fazia de mim uma mera desprovida de palavras, não conseguia expressar nada daquela dor assídua, que jamais me abandonava quando estava na sua presença.
Muitos falavam dela e da maneira que ela se comportava, e de uma maneira inexplicável isso me intrigava ainda mais, e na verdade, eu tinha era medo. Morria de medo daquela estranha que apareceu no meu meio. No exato meio que pacatamente eu me encontrava, e atiçou qualquer paranóia que eu tanto censurei alheios, acabei me tornando desconfiada e doente, sem nunca cessar.
Conhecemo-nos por um acaso adorável e quem sabe, uma intervenção divina, não, de divina ela não tinha nada, aquela mulher sim era a dona do inferno, a rainha das trevas, a imperatriz de todos os meus desalentos, como sofri nas garras do acaso, e ela, minha musa. O acaso então foi que uma amiga me falou dela, e me contou da personalidade excêntrica de Elis. Sim, esse é o nome. Elis, Elis, Elis. Percebe como soa bem? É uma beleza, uma flor maldita brotando no meu jardim amarelo. Antes fosse, até porque nunca fui muito amarela, se quer saber, sempre arranjei bons motivos pra viver em constante dor, acredito e tenho como provar lhes que apenas criaturas desprovidas de... Bom, a questão é que todos os acéfalos da sociedade são a fração feliz, aquela massa bem casada, satisfeita, conformada, que se agrada com o comum. Pensem mal, pensem levianamente, mas sejamos francos, a unanimidade é sim burra e contagia os filhotes do mundo.
Mas Elis não era assim, eu não era assim. Talvez outros adereços pudessem nos cogitar, mas burras levianas, burras, jamais. Nota como eu me ligava a ela de uma maneira invejosa? Sim! Uma parte de mim sempre soube que eu tinha era inveja da capacidade de desprendimentos emocionais que ela tinha, não obstante, aquela beleza perversamente cândida.
Embora eu também fosse bonita, até mais que ela, não possuía tamanha desenvoltura com a mesma, sabia usar dos meus atributos, porém, não de um charme nascente que fora crescendo com os anos.
Elis era alta e era cheia de casos, era aquele tipo convidativo, que chama a todos para perto de si, e quando os encontra se esquece das coisas, naquela época era o que eu mui leigamente achava, com o passar do tempo percebi que ela se lembrava de tudo que havia feito, dito, e principalmente tudo o que eu havia falado a ela, inclusive mentiras para impressionar. Embora, como antes mencionei no começo eu não conseguia falar muito, por causa daquele problema de identidade. Mas isso acabou passando, a partir do momento que minha meretriz casta se apaixonou por mim.
Na primeira vez que saímos sozinhas, eu não consegui dizer sequer qualquer coisa, nada, nada, é incrível como alguém tão decidida e com uma autonomia de opiniões pode se submeter a tamanho silêncio na presença de alguém, mas querendo ou não, foi assim. Eu tentava me sair convincente e falar coisas adequadas que soassem desprendidas o suficiente, e que me colocasse longe de qualquer vestígio que me fizesse parecer apaixonada. Aí, ela ainda não havia se encantado com o projeto de uma relação, só eu com meu problema de querer possuir mais e mais pessoas, como já era de praxe.
Acabamos depois de um passeio, indo até a casa dela, morava sozinha e isso era bom, estarmos sozinhas, na mesma medida que me fazia tremer, mesmo ela dizendo que isso não teria problema algum, como se algo no mundo, tivesse problemas pra ela.
Não sei de onde tirei força e coragem para beijá-la. Enfim. E fiquei amplamente feliz ao notar que minha capacidade sexo-intencional não tinha sido afetada pelo porre que ela fazia comigo, juro, era um inferno.
Agarrei-a da maneira mais voraz possível, puxei Elis pra perto do meu corpo e senti toda aquela altura e arte por cima de mim, eu estava alucinada, o beijo dela era como uma serenidade opaca perto do fogo que queima a razão. Ela se animou e me recebeu pra perto, passava suas mãos pelas minhas pernas e tinha um interesse sutilmente pesado nos meus seios. Novamente me senti alegre por saber que dali ia acontecer algo que me fizesse sair finalizada, algo bastante masculino, eu era assim. Sempre fui.
Abria o botão da minha calça com uma velocidade que, diga-se de passagem, nenhum homem havia aplicado tamanha habilidade em tal feito, como fizera ela também com minha blusa, que pra sua surpresa, era só ela, a blusa, e embaixo a brancura da minha saudade.
Mas de nada adiantava, já que ela não se aprofundou além das coxas. Exato, é aí a fonte do meu desespero. Aquela criatura brincava com a mais pura vontade do meu ser, eu vivia pelo meu prazer, eu vivia pela minha intensidade de busca e vontade, e a vontade que ela, aquela ninfa desgraçada me provocara, era maior do que qualquer solenidade mórbida.
Ela resolveu finalizar qualquer tipo de fluxo sanguíneo que rastejava pelas minhas veias, e foi assim, que se afastou de mim.
Não.
Não, não, na...
Não mesmo.
No meu mundo isso não existe.
Não se começa a pintar um quadro, sem querer terminá-lo.
Mas e se ela quisesse? E aquilo fizesse parte de um plano para acabar com minha estrutura e bater o martelo, sentenciar meu desejo profundo e amor! Como ela adorava falar de amor, amor e respeito, respeito pelos humanos, pelas pessoas, pelos anjos. Respeito! Anjos! Isso na verdade era um culto satânico disfarçado, um culto detalhadamente planejado pra acabar comigo.
O que eu poderia responder a aquela criatura adorável que há segundos me deliciava com beijos lisérgicos e agora rompera meu estado de frenesi?
Olha que boba e coerente eu fui. Desapeguei-me do seu corpo, levantei, me vesti, dei um sorriso convincente e disse que precisava ir. Então fui embora, e dei graças a deus que ela não pedira pra eu ficar, porque não podia permanecer nem mais um segundo sequer no mesmo ambiente que aquela víbora.
No caminho pra casa, demorei dois transportes públicos para atinar. Quando acordei, percebi que estava louca e apaixonada por ela, da maneira mais grata da palavra.
Como era doce Elis!
Vivia em conflito comigo, não me decidia se sentia dela inveja, desprezo ou paixão irreparável, chegando a minha casa, logo percebi, que era uma mescla dos três. E ainda assim irreparável, já que até no mais atual instante, ainda sinto por ela a mais devastadora atração.
Agora conto pra ela os motivos de nossa repentina separação.
Mas meus queridos, não se enganem, Elis não tinha nada de especial. Não era nada além de uma mulher como tantas outras mulheres, e que tinha os caprichos e atitudes como qualquer outro animal de sua espécie. E foi assim que meu romance com aquela moça acabou, não deixando rugas e nem futuros momentos nostálgicos que pudessem vir a me incomodar. Mas isso que lhes relato, era o que eu sentia naquele momento, naqueles dias que em outros dias voltaram, e que acontecia até o fim dos dias, que em outros dias acabaram.
A intensidade dormente que te possui e não pensa, não controla a velocidade que teu corpo se contrai e se desespera por qualquer sombra de êxtase, o desejo incontrolável de prazer, de liberdade, começa a te tocar ainda dormindo, as pálpebras semi- abertas, fazem com que teus olhos chorem de angustia e vontade de logo cessar, o desejo incontrolável e enfim tu cavas, enfim tu encontras a imagem adequada, a fantasia útil, que te agrada, fica tão quente, é tão controlador, vai sendo rápido, nostálgico e doentio, uma sede desenfreada de prazer...
Prazer
Prazer prazer
Eu paro.
E respiro fundo.
Prazer prazer prazer
Prazer.
Acordei extasiada de um sonho bom.
Terminei de satisfazer meu corpo que lamenta por resistir a tão pouco, pensava que se a realidade do momento, um dia com outros, terminaria tão rápido, ou seria tão intenso. Como seria? Mais submisso? Sentiria cada força de gozo me sentindo ao longo das suas pernas?
Mas ai que eu te encontro, querido. Mas não seria tão íntimo, e nem seria eu somente.
É difícil entregar se a alguém quando se é como eu, quando se sente necessidade de si mesma, de rasgar se por dentro para atingir a respiração, aquela, de que todos falam, falam, pensam, pensam.
Mas dessa vez fora diferente, precisava então colocar toda aquela angustia que então expelia no meu corpo nesses momentos para um plano real. Um plano que mostrasse ingenuamente o que fazia a minha vida tão banal perante os outros, no turbilhão da existência, tão surreal.
Precisava eu contar. Sim, contar a aquelas pessoas que residiam no meu eu, toda aquela parafernália que dançava na minha cabeça, e infernizava a minha alma.
Eu havia então conhecido uma mulher, de uma beleza tão vulgar que doía nos meus mais profundos estímulos, o jeito que ela se movia fazia de mim uma mera desprovida de palavras, não conseguia expressar nada daquela dor assídua, que jamais me abandonava quando estava na sua presença.
Muitos falavam dela e da maneira que ela se comportava, e de uma maneira inexplicável isso me intrigava ainda mais, e na verdade, eu tinha era medo. Morria de medo daquela estranha que apareceu no meu meio. No exato meio que pacatamente eu me encontrava, e atiçou qualquer paranóia que eu tanto censurei alheios, acabei me tornando desconfiada e doente, sem nunca cessar.
Conhecemo-nos por um acaso adorável e quem sabe, uma intervenção divina, não, de divina ela não tinha nada, aquela mulher sim era a dona do inferno, a rainha das trevas, a imperatriz de todos os meus desalentos, como sofri nas garras do acaso, e ela, minha musa. O acaso então foi que uma amiga me falou dela, e me contou da personalidade excêntrica de Elis. Sim, esse é o nome. Elis, Elis, Elis. Percebe como soa bem? É uma beleza, uma flor maldita brotando no meu jardim amarelo. Antes fosse, até porque nunca fui muito amarela, se quer saber, sempre arranjei bons motivos pra viver em constante dor, acredito e tenho como provar lhes que apenas criaturas desprovidas de... Bom, a questão é que todos os acéfalos da sociedade são a fração feliz, aquela massa bem casada, satisfeita, conformada, que se agrada com o comum. Pensem mal, pensem levianamente, mas sejamos francos, a unanimidade é sim burra e contagia os filhotes do mundo.
Mas Elis não era assim, eu não era assim. Talvez outros adereços pudessem nos cogitar, mas burras levianas, burras, jamais. Nota como eu me ligava a ela de uma maneira invejosa? Sim! Uma parte de mim sempre soube que eu tinha era inveja da capacidade de desprendimentos emocionais que ela tinha, não obstante, aquela beleza perversamente cândida.
Embora eu também fosse bonita, até mais que ela, não possuía tamanha desenvoltura com a mesma, sabia usar dos meus atributos, porém, não de um charme nascente que fora crescendo com os anos.
Elis era alta e era cheia de casos, era aquele tipo convidativo, que chama a todos para perto de si, e quando os encontra se esquece das coisas, naquela época era o que eu mui leigamente achava, com o passar do tempo percebi que ela se lembrava de tudo que havia feito, dito, e principalmente tudo o que eu havia falado a ela, inclusive mentiras para impressionar. Embora, como antes mencionei no começo eu não conseguia falar muito, por causa daquele problema de identidade. Mas isso acabou passando, a partir do momento que minha meretriz casta se apaixonou por mim.
Na primeira vez que saímos sozinhas, eu não consegui dizer sequer qualquer coisa, nada, nada, é incrível como alguém tão decidida e com uma autonomia de opiniões pode se submeter a tamanho silêncio na presença de alguém, mas querendo ou não, foi assim. Eu tentava me sair convincente e falar coisas adequadas que soassem desprendidas o suficiente, e que me colocasse longe de qualquer vestígio que me fizesse parecer apaixonada. Aí, ela ainda não havia se encantado com o projeto de uma relação, só eu com meu problema de querer possuir mais e mais pessoas, como já era de praxe.
Acabamos depois de um passeio, indo até a casa dela, morava sozinha e isso era bom, estarmos sozinhas, na mesma medida que me fazia tremer, mesmo ela dizendo que isso não teria problema algum, como se algo no mundo, tivesse problemas pra ela.
Não sei de onde tirei força e coragem para beijá-la. Enfim. E fiquei amplamente feliz ao notar que minha capacidade sexo-intencional não tinha sido afetada pelo porre que ela fazia comigo, juro, era um inferno.
Agarrei-a da maneira mais voraz possível, puxei Elis pra perto do meu corpo e senti toda aquela altura e arte por cima de mim, eu estava alucinada, o beijo dela era como uma serenidade opaca perto do fogo que queima a razão. Ela se animou e me recebeu pra perto, passava suas mãos pelas minhas pernas e tinha um interesse sutilmente pesado nos meus seios. Novamente me senti alegre por saber que dali ia acontecer algo que me fizesse sair finalizada, algo bastante masculino, eu era assim. Sempre fui.
Abria o botão da minha calça com uma velocidade que, diga-se de passagem, nenhum homem havia aplicado tamanha habilidade em tal feito, como fizera ela também com minha blusa, que pra sua surpresa, era só ela, a blusa, e embaixo a brancura da minha saudade.
Mas de nada adiantava, já que ela não se aprofundou além das coxas. Exato, é aí a fonte do meu desespero. Aquela criatura brincava com a mais pura vontade do meu ser, eu vivia pelo meu prazer, eu vivia pela minha intensidade de busca e vontade, e a vontade que ela, aquela ninfa desgraçada me provocara, era maior do que qualquer solenidade mórbida.
Ela resolveu finalizar qualquer tipo de fluxo sanguíneo que rastejava pelas minhas veias, e foi assim, que se afastou de mim.
Não.
Não, não, na...
Não mesmo.
No meu mundo isso não existe.
Não se começa a pintar um quadro, sem querer terminá-lo.
Mas e se ela quisesse? E aquilo fizesse parte de um plano para acabar com minha estrutura e bater o martelo, sentenciar meu desejo profundo e amor! Como ela adorava falar de amor, amor e respeito, respeito pelos humanos, pelas pessoas, pelos anjos. Respeito! Anjos! Isso na verdade era um culto satânico disfarçado, um culto detalhadamente planejado pra acabar comigo.
O que eu poderia responder a aquela criatura adorável que há segundos me deliciava com beijos lisérgicos e agora rompera meu estado de frenesi?
Olha que boba e coerente eu fui. Desapeguei-me do seu corpo, levantei, me vesti, dei um sorriso convincente e disse que precisava ir. Então fui embora, e dei graças a deus que ela não pedira pra eu ficar, porque não podia permanecer nem mais um segundo sequer no mesmo ambiente que aquela víbora.
No caminho pra casa, demorei dois transportes públicos para atinar. Quando acordei, percebi que estava louca e apaixonada por ela, da maneira mais grata da palavra.
Como era doce Elis!
Vivia em conflito comigo, não me decidia se sentia dela inveja, desprezo ou paixão irreparável, chegando a minha casa, logo percebi, que era uma mescla dos três. E ainda assim irreparável, já que até no mais atual instante, ainda sinto por ela a mais devastadora atração.
Agora conto pra ela os motivos de nossa repentina separação.
Mas meus queridos, não se enganem, Elis não tinha nada de especial. Não era nada além de uma mulher como tantas outras mulheres, e que tinha os caprichos e atitudes como qualquer outro animal de sua espécie. E foi assim que meu romance com aquela moça acabou, não deixando rugas e nem futuros momentos nostálgicos que pudessem vir a me incomodar. Mas isso que lhes relato, era o que eu sentia naquele momento, naqueles dias que em outros dias voltaram, e que acontecia até o fim dos dias, que em outros dias acabaram.
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